Ali, Aqui nasce do projeto de cinema comunitário Atlas Almada e constrói um retrato do Monte da Caparica a partir das histórias de quem o habita. Tudo começa com um gesto simples: Rafa sai de casa para comprar vinho para a cachupa do almoço e, nesse percurso, cruza-se com outras vidas, encontros e pequenos acontecimentos que fazem desdobrar o filme em múltiplas narrativas. Entre hortas, ruas, cafés e bairros, surgem personagens que procuram um amigo, escrevem um poema ou negociam um corte de cabelo, compondo um mosaico onde a memória, a pertença e o quotidiano se entrelaçam. Realizado coletivamente por habitantes do território, Ali, Aqui transforma a experiência vivida em matéria cinematográfica, recusando representações estereotipadas e afirmando o bairro como um espaço de imaginação, afeto e criação. Mais do que um retrato de um lugar, o filme propõe uma forma de o habitar, através das relações, das histórias partilhadas e do olhar de quem o conhece por dentro. 

Na MICAR, Ali, Aqui lembra-nos que contar a própria história é também um gesto de resistência. Um cinema feito em comunidade que celebra a força dos territórios e das vozes tantas vezes deixadas à margem.