Em Black Joy, Kẹ́mi Fátọba reúne artistas, ativistas e organizadores comunitários de Berlim, Londres e Nova Iorque para pensar a alegria negra como uma prática quotidiana de cuidado, criação e liberdade. Através de conversas íntimas, imagens de arquivo e uma realização que privilegia a proximidade e a escuta, o filme percorre memórias, gestos e experiências que desafiam a redução das vidas negras às narrativas de violência e sofrimento. Sem negar a história da opressão, reivindica uma outra genealogia, inscrita em movimentos como o Harlem Renaissance e o Black Is Beautiful, onde a alegria emerge como força política, espaço de imaginação e possibilidade de futuro. Mais do que um conceito, Black Joy revela-se uma experiência coletiva, feita de afetos, comunidade e celebração, afirmando que existir plenamente é, por si só, um gesto de resistência. O próprio processo de realização reflete esse compromisso, transformando o encontro entre quem filma e quem é filmado num exercício partilhado de confiança, generosidade e pertença.

Na 13.ª MICAR, Black Joy convoca o tema desta edição para afirmar que a alegria não é um desvio da luta, mas uma das suas expressões mais poderosas. Um convite a celebrar a vida, imaginar futuros comuns e reconhecer a liberdade como prática quotidiana.